Nos muros havia escrito cinco palavras - Paz, pão, habitação, saúde, educação. Quando acabei de as escrever senti um apito tão forte como se o comboio apitasse junto a mim. Cai no chão, quase de imediato. E nas poucas vezes que abri os olhos apenas vi aquela cabeça careca quase esfumada no ar, enquanto as botas de biqueira de aço me deformavam o corpo.
Não entendi o que lhes dava tanta raiva. Se o medo da paz, ou o medo de ter um povo sem fome, com saúde, casa para viver e culto. Ele continuava a espancar-me. E nos gritos longos de alguém que pedia ajuda, só sinto o peso do seu corpo a fugir para longe.
Era o fascismo. Careca, novo, renovado. Bafiento como dantes.
Onde antes a tinta branca marcou aquelas cinco palavras, hoje habita três enormes setas. Era o regresso do fascismo, e ainda nem sararam todas as minhas feridas.
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